Oi, Diário.
Acabei de voltar da minha corrida na Oliveira Belo. Ainda bem que a chuva deu uma trégua e pude sair para correr de novo. Ainda mais depois de todos aqueles doces de Cosme e Damião que comi anteontem aqui em casa, Mas foram por uma boa causa!
Depois dos doces, reforcei uma das afirmações positivas que mais gosto, "Eu estou emagrecendo. Sinto o meu corpo belo, saudável e harmonioso."
Mas não era isso que eu queria te contar, não. É uma outra coisa engraçada. Eu até fiquei rindo sozinha na rua enquanto vinha para casa e me lembrava do Patrício.
O Patrício foi um namorado que eu tive no ano retrasado e que morava no Rio Grande do Sul. Nos conhecemos pela internet e, por conta da nossa afinidade pelos assuntos místicos e de espiritualidade, resolvemos nos dar uma chance de nos conhecermos melhor. Eu queria um namorado e ele também estava buscando uma mulher legal para a vida dele.
Marcamos o primeiro encontro no Shopping Rio Sul, em Botafogo, e foi paixão à primeira vista. Nossa, ele era um ga-to! Muito mais bonito que pelas fotos da Internet! Olhos azuis, cabeça raspada e corpão malhado. Tudo que eu podia pedir a Deus! Sentamos para comer uma pizza e, já depois de duas horas de conversa e já entitulados namorados um do outro, ele me contou que era policial! Gente, como nós nunca havíamos conversado sobre as nossas profissões?? Incrível!
"Policial?" perguntei, sem conseguir esconder o fetiche que me enchia de tesão.
"É, sou," respondeu ele, sem me corresponder o olhar convidativo.
Me recompus na mesa e me lembrei que eu era uma senhorita, e que senhoritas são proibidas de sentir tesão por um homem no primeiro encontro. Que coisa feia! Ri comigo mesma. Afinal de contas, o cara era gaúcho. E, por mais que quisesse ter a mente aberta e ser um homem evoluído, as origens muitas vezes falam mais alto ao moldar as nossas crenças.
Muito bem. No primeiro dia de encontro, me controlei - apesar de não conseguir parar de pensar um minuto que ele era um policial e por isso eu queria transar com ele - e ele me levou de volta para casa incólume. No dia seguinte, ele me buscou de novo, dessa vez mais cedo, para irmos à praia e depois almoçarmos juntos e, o tempo todo, ele só falava e planetas, conjunções astrais e sobre o quanto a Comissão Inetrgalática Cósmica ia dar uma guinada nas energias do planeta.
"Meu Deus, será que ele é gay?" pensei. Mas olhei para ele de novo e roguei, "Ai, não. Não pode ser...!"
Não era. No final do dia, depois que ELE convidou, passamos a noite juntos no quarto do hotel em que ele se hospedou e, finalmente, dei vasão ao tesão que tinha se apoderado de mim. E dormi por lá.
Ele pareceu gostar e no dia seguinte foi embora de avião. Primeira classe. O hotel onde estávamos também não era de pouco luxo.
Fiquei animada com o homem, por ele ter vários ingredientes que me encantavam: espiritualidade, um cérebro que funcionava muito bem, boa forma e saúde, bom humor e tal.
Então deixei a energia rolar mais solta. Me entregar, sabe? Afinal, havíamos criado um vínculo de intimidade tão grande nos meses passados, até que culminou em um encontro presencial.
Tanto estava empolgada que, na segunda-feira, escrevi um poema erótico para presenteá-lo. Ele me inspirou. Afinal, se eu o tinha escolhido para ser meu namorado, dedusi que deveríamos passar a incluir o sexo e o tesão como uma de nossas atividades. Certo? Pensando assim, criei o poema - algo com algemas, corpos tremendo, quadris balançando, e muito tesão - e, carinhosa e "maldosamente", enviei para ele.
Meu pai do céu, não sei por quê fui fazer aquilo! Eu pensava que conhecia o Patrício, mas não era bem assim. Três dias se passaram e eu não havia ercebido nenhuma resposta dele. Achei estranho, por causa da conexão que havíamos estabelecido. Doce ingenuidade minha!
Sem receber resposta do meu "querido", depois de muito tentar me refrear, telefonei para ele.
"Alô?" perguntei, com voz doce. "Patrício, é você?"
"Ah, oi, Atma. Sim, sou eu," respondeu ele, com voz de quem não sabia o que dizer. "Olha, guria. Não vou poder falar com você agora, pois estou no meio de uma reunião. Mando-te um correio no final da tarde, está bem?" disse ele, tentando tornar a voz não tão ríspida.
Desliguei o telefone sem acreditar naquilo. Gente, o que estava acontecendo??
Nem preciso dizer que não consegui fazer mais nada o dia inteirinho, né? Fiquei sentada na frente do computador, com o email aberto, esperando o tal correio. O que eu tinha feito de errado??
Eram cinco e meia da tarde quando o email fatídico entrou. Era o Patrício, se desculpando por ter que terminar comigo, porque eu não era nada do que ele tinha imaginado. Na carta, ele dizia que tinha pensado que eu era uma mulher espiritualizada, desapegada, e não uma pessoa apegada ao sexo como eu e nem com pretensões materiais. Em um determinado trecho, ele dizia,
"Chico Xavier jamais teria desejado ter um salário de R$ 3.000,00 por mês." (Ele disse isso porque eu comentei que os salários no Brasil são baixos e que eu considerava que o mínimo para se viver bem deveria ser mais ou menos isso e que, por esta razão, era o salário que eu pedia ao universo para me enviar."
Fora esse trecho, ele colocou mais alguns dizendo que havia considerado o meu poema erótico de mau gosto e que procurava uma mulher pura para ficar ao lado dele.
Diário....... Eu nem respondi. Deletei ele do meu orkut, msn, facebook, tudo. Que cara boboca...
Porém seria mentira dizer que não fiquei chateada. Me senti exposta, sabe? Eu também havia me enganado com ele. No mesmo dia, comecei a fazer pedidos para o universo, para me mandar respostas e esclarecimentos para o ocorrido. Será que eu estava errada? Não devia sentir mais tesão, para evoluir o meu espírito?
E o Senhor Shiva e Parvati? Só eles podiam fazer o sexo divino e transcendental, no alto das colinas cósmicas? Eu também quero sentir prazer! Não viver em prol disso, correndo atrás de homens todo dia. Mas, quando eventualmente uma pessoa brilhante e amorosa aparecer... por que me negar a experiência? Ainda mais um namorado....
Cheguei em casa agora lembrando dessa história e rindo. Até parece que eu deixei de transar e de atingir o prazeroso clímax do orgasmo amoroso por causa do Patrício! Sai pra lá!
Sentei no sofá e me apareceu um exemplar do jornal O Prana em cima da mesa. Abri em um artigo que fala da energia amorosa do dinheiro. Tudo no universo é energia. E o dinheiro também é uma energia. Portanto, devemos aprender a deixar fluir essa energia abundantemente em nossas vidas também, sem receios, culpas e sentimentos negativos em cima dele. (Está no Prana deste mês!! Agosto 2010)
Adorei o artigo. Pulei para outra página e li sobre a energia do Feminino e do Masculino no universo e sobre os homens machistas que procuram ainda dominar a energia das mulheres. Ri sozinha. E como!
No final das contas, sentei e escrevi outros dizeres. Dessa vez, não para o Patrício. Nem para ninguém. Apenas para expressar livremente o tesão que, graças um bom Deus, ainda corre em mim toda vez que tem que correr. Escrevi assim:
"Quando o tesão se apodera do meu corpo de uma mulher, é mais forte que a lua cheia. Tremo os quadris. Balanço-os. Fecho os olhos. Sou toda tesão. Tremo. Gozo! Prendo o meu homem entre as minhas pernas e puxo-o para mim. Sou mulher! Sou divina! Nos conectamos por todos os chakras. Que momento de divino prazer! Não penso em mais nada, só naquele instante de prazer sem culpa. De sentir a pele tocando na outra. O cheiro. O abraço. O amor... Ai, que tesão."
Gostou, Diário? Ai, essa história toda me deu uma vontade de fazer amor...
Atma
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